Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Coisas bonitas

Simplesmente gosto desta música. Quantos de nós não se sentem a incomodar muitas vezes? A incomodar as pessoas que riem? Quantas vezes queremos sobressair, mas a verdade é que morremos de medo de ficar esquecidos... Quantas vezes se esquecem as pessoas de nós quando partem e deixam de nos ver? Passamos a ser somente uma memória baça, meia esquecida, contornos do que realmente somos, talvez mesmo sejamos pouco do que se lembram de nós...






http://youtube.com/watch?v=nzv9R5kFnLk&feature=related



Vida em câmara lenta,

Oito ou oitenta,

Sinto que vou emergir,

Já sei de cor todas as canções de amor,

Para a conquista partir.



Diz que tenho sal,

Não me deixes mal,

Não me deixes…



No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto onde eu não entrei,

Notícia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…



Vida à média rés,

Levanta os pés

Não vás em futebois, apesar…

Do intervalo, que é quando eu falo,

Para não me incomodar.



Diz que tenho sal,

Não me deixes mal,

Não me deixes…



No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto onde eu não entrei,

Notícia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…



Não me deixes já

A história que não terminou

Não me deixes…



No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto onde eu não entrei,

Notícia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…



No livro que eu não li,

No filme que eu não vi,

Na foto onde eu não entrei,

Noticia do jornal

O quadro minimal… Sou eu…


Pefume + Rui Veloso

Sábado, 5 de Julho de 2008

Coisas sobre mim

Porquê o amarelo?


O amarelo costuma ser definido por amizade, temperança, calma e serenidade.


Para mim, significa loucura.


Não a loucura anormal, de comportamento irracional.


Significa a loucura de querer mais do que o que nos é dado. A loucura de querer alcançar onde os braços não chegam. A loucura de viver mais do que o corpo nos deixa.


A loucura de que fala Fernando Pessoa: "Sem a loucura que é o homem/Mais que a besta sadia,/Cadáver adiado que procria?"


A loucura que fez homens de sangue quente avançar contra a corrente, contra ventos e marés, para conquistar pouco mais do que um nome que perpetuará nas linhas da História.


A loucura que fez e faz homens e mulheres de paixões inabaláveis lutar por conseguir não mais só que expressar os seus sentimentos por um outro alguém só importante no seu coração.


A loucura que é louvável, que é reconhecida, mas acima de tudo que é vivida com totalidade.


Sem loucura não há amores arrebatadores, não há aventuras, não há romances e não haveriam os grandes feitos da História do Homem.


Para mim, o amarelo representa essa loucura que eu faço questão que comande a minha vida.

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008


Já não há paciência... Estou esgotada. Foi um ano muito puxado na faculdade: muitos trabalhos (e difíceis), demasiados exames. Foi um ano com muito pouco sono, o que torna muito complicada a execução dos trabalhos e dos exames. Foi um ano cheio de alergias novas. Foi um ano cheio de desilusões, de lágrimas, de desgostos...



Só queria férias. Queria poder relaxar e descansar.




A esta altura já não consigo concentrar-me para estudar. E ainda faltam, pelo menos três. Algumas notas teimam em não ser pautadas...




Seja o que Deus quiser...

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Coisas interessantes

Toda a obra dele é fantástica. Mas a que mais me apaixonou nele foi mesmo a crença de que Portugal, pela sua Língua e Cultura, poderia vir a encabeçar o Quinto Império. Mas os portugueses murcharam e são os americanos quem mandam. E não mandam como ele sonhava para nós. Aqui fica um poema. Em tua honra, Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935).




(Retrato de Fernando Pessoa feito por João Luiz Roth)


O Quinto Império



Triste de quem vive em casa,

Contente com o seu lar,

Sem que um sonho, no erguer de asa,

Faça até mais rubra a brasa

Da lareira a abandonar!



Triste de quem é feliz!

Vive porque a vida dura.

Nada na alma lhe diz

Mais que a lição da raíz --

Ter por vida sepultura.



Eras sobre eras se somem

No tempo que em eras vem.

Ser descontente é ser homem.

Que as forças cegas se domem

Pela visão que a alma tem!



E assim, passados os quatro

Tempos do ser que sonhou,

A terra será teatro

Do dia claro, que no atro

Da erma noite começou.



Grécia, Roma, Cristandade,

Europa -- os quatro se vão

Para onde vai toda idade.

Quem vem viver a verdade

Que morreu D. Sebastião?


Fernando Pessoa, in Mensagem

Sábado, 21 de Junho de 2008

Coisas bonitas




Adeus


Já gastamos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas.
Gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esferas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já se não passa absolutamente nada.
E, no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.

Eugénio de Andrade



Só porque este poema é lindo. Cruel, sarcástico, talvez errado, mas lindo.

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Acto II

Depois da tempestade vem a bonança... Ou talvez venha outra tempestade. Mas não quer dizer que seja assim tão mau. As coisas podem mudar. Podem ganhar-se perspectivas. Pode crescer-se. Podemos descobrirmo-nos de novo, coisas novas dentro de nós, mais bonitas, que podem disfarçar o cheiro dos nossos defeitos e erros.

Talvez esteja na hora da reconstrução... Passos pequeninos, lentos, suaves. Nunca será igual. Nunca nada será igual. Coisas desapareceram e não voltarão jamais. Não voltarei ao mesmo caminho, porque esse caminho já não existe. Mas posso tentar encontrar outro.

De qualquer forma, se tenho mesmo que existir, que seja com um sorriso nos lábios, ainda que falte felicidade no coração.

Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

O meu sobrinho





Esta é a foto mais recente do meu sobrinho.

O gajo, de nome Ricardo, já mostra a sua personalidade. Reparem só na forma relaxada como ele se recosta no seu berço e desfruta da sua mamada. Estou cheia de vontade de o conhecer e de o poder mimar, de o ver crescer, de o ver tornar-se num homem.

Espero que se afaste da tendência actual de futilidade, de ser mimado e de ser fantoche das vontades superficiais. Espero que cresça um homem íntegro, de convicções fortes e centradas.


Veremos...

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Coisas de partilhar


Bom, a pedido de várias famílias, venho aqui propôr que exponham as suas opiniões acerca dos diferentes festivais apresentados na mais recente sondagem. Digam o que pensam sobre cada um deles, quais conhecem por experiência própria. Não sejam tímidos. Contem tudo...

Domingo, 1 de Junho de 2008

Coisas fixes

Chega de queixinhas e de cansaços. Hoje, o dia é dedicado a ti Rodrigo. Um ano foi muito grande para mim, mas para ti deve ter sido ainda mais preenchido. Tudo é novo e diferente. Quem me dera ver o mundo pelos teus olhos puros. És lindo!!! Adoro-te. Beijinhos grandes da prima.

Espero este ano ver-te mais vezes. :)

Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Coisas Grrrrrrrrr

Porque a minha vida agora é isto, decidi por-vos por dentro dos sistemas de avaliação a que me submeteram. E para que entendam bem a magnitude do que me foi proposto, vamos por disciplinas, por ordem alfabética:

Avaliaçao Psicológica - 4 ECTS (8 horas)
Trabalho de grupo que inclui a apresentação de uma aula, sobre assuntos relacionados com a avaliação psicológica, mais relatório que explana o conteúdo da apresentação e pode avançar mais qualquer coisinha, se houver pachorra e tempo para isso;
Exame Final.


Comportamento Desviante - 4 ECTS (8 horas)
Exame Final - com pesquisa sobre um comportamento desviante.

Desenvolvimento da Criança e do Adolescente II - 4 ECTS (8 horas) - a cadeira em atraso
Exame Final

Diagnóstico em Psicopatologia- 3 ECTS (6 horas)
Testes semanais sobre os conteúdos da semana anterior; último teste a valer 30% da nota; as 2 respostas mais fracas eliminadas, ou seja, não contam para a nota.

Dinâmica de Grupo - 3 ECTS (6 horas)
Trabalho de grupo - projecto de intervenção, baseado em técnicas de grupo.

Educação - 4 ECTS (8 horas)
Apresentação de tema retirado do livro do Prof., que variava entre as 3 e as 12 páginas de abrangência (no meu caso 8) - 1/3 da nota final;
Trabalho que poderia incluir revisão bibliográfica, mais plano de investigação, mais aplicação do plano de investigação (fiquei-me pela revisão bibliográfica, porque não valia a pena o esforço por apenas mais 2 pontos ponderados) - 1/3 da nota final;
Exame final, incluindo a matéria retirada dos 2 livros indicados para a unidade curricular - 1/3 da nota final.

Psicologia Comunitária - 3 ECTS (6 horas)
Trabalho de grupo que inclui apresentação de um artigo de intervenção comunitária, com respectivas críticas, mais relatório que explana as críticas desenvolvidas na aula;
Participação nas aulas;
Os dois primeiros items correspondem a 50% da nota final.
Trabalho individual que segue o mesmo esquema do de grupo, mas não inclui a apresentação do trabalho e é um pouco mais alargado em número de páginas, porque tem de incluir a apresentação resumida do artigo escolhido por nós. Este item equivale a 50 % da nota final.

Psicopatologia do Adulto e do Idoso - 4 ECTS (8 horas)
Exame Final.

Técnicas de Avaliação Psicológica - 3 ECTS (6 horas)
Trabalho de grupo que inclui a apresentação de uma aula, sobre testes de avaliação, mais relatório que explana o conteúdo da apresentação e pode avançar mais qualquer coisinha, se houver pachorra para isso;
Exame Final (sim, numa unidade curricular prática. Quão ridículo?!).
Fica a pergunta: Como é que tendo diferentes quantiodades de horas de trabalho, se pede exactamente a mesma coisa?

Trabalhos Práticos de Investigação Qualitativa - 4 ECTS (6 horas)
Trabalho de grupo cuja informação foi chegando "às pingas" e com "deadlines" para o dia seguinte, como se nós tivessemos de estar 100% disponíveis para esta cadeira.

O melhor método de avaliação parece ser o da unidade curricular de Diagnóstico em Psicopatologia, uma vez que nos obrigou a estudar, não sobrecarrega com trabalhos em que não se aprende nada e é uma avaliação justa.

Minha gente, isto prefaz um total de 10 unidades curriculares, 72 horas de trabalho e/ou estudo semanais, 5 trabalhos de grupo, 4 apresentações em aulas, 2 relatórios, 3 trabalhos individuais e 6 exames. Toda esta descrição não faz plena justiça à magnitude de horas e esforço que cada trabalho exigiu. Somos heróis ou não somos?

Faltam-me 4 trabalhos, todos de grupo. Mas eu vou conseguir. E, depois, venham os exames!

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

Coisas Grrrrrrrrr

Eu tenho de desabafar...

Os trabalhos estão a ser demais. Não permitem que tenhamos vida pessoal, nem sequer que descansemos direito. Eu nem tenho tempo para reivindicar!

Que psicólogos são estes que nos dão aulas?! Psicólogos que não têm em consideração o facto de estarmos numa idade em que nos é pedido, segundo Erikson, que nos embrenhemos em relações íntimas e aprendamos a lidar com as diferenças de outros sem deixarmos de ser nós? Psicólogos que não têm em consideração o facto de precisarmos de actividades exteriores à faculdade, actividades de leitura, lazer, prazer, divertimento, cultura, desporto...? Psicólogos que não têm em consideração que um aluno também pode querer ser profissional e querer esmerar-se no seu trabalho, mas que fica com as mãos atadas pela impossibilidade de ter tempo para o fazer com a qualidade que desejava?

Pregam-nos as teorias que nos ensinam a viver com qualidade mental, que nos incentivam o sono regular e que permita o descanso, que nos ensinam a viver sem ansiedade para nos conservarmos saudáveis, mas prendem-nos com trabalhos sem pensarem que talvez sejamos pessoas, pessoas que eles estudam, pessoas que eles dizem tentar ajudar.

Não somos só alunos, somos pessoas. Eu gostava de poder ser uma filha também e ter tempo para ajudar a minha mãe e o meu pai no que fazem. Gostava de ser uma irmã e de ajudar o meu irmão nesta fase feliz mas complicada da vida dele, de me poder divertir com ele, de simplesmente conviver com ele. Gostava de ser uma amiga como deve ser e poder ouvir os problemas dos meus amigos sem dizer "agora não posso. estou a trabalhar", de poder ir sair com eles, de os poder ver. Gostava de poder ser uma rapariga normal e poder sair, conhecer gente nova, poder recuperar do ano difícil que o que passou foi, de aprender a rir com sinceridade de novo, de tomar decisões bem pensadas e reflectidas, de retomar o meu antigo sono, de retomar as rédeas da minha vida.

Mas, para além de todos os problemas que eu poderia ter, a escola poderia não ser o maior. Dava jeito.

Senhores Professores, tenham paciência. Reúnam no início do ano, avaliem o processo no seu todo, decidam com consciência do que estão a fazer. Estou fartinha de ouvir alguns dizerem que vos ultrapassa as decisões exteriores à vossa cadeira. Para que existe um Conselho Pedagógico, se não é para também decidir, por último, o que cada cadeira deverá abordar e como será avaliada, e o panorama geral de cada ano, do curso em si? Se nos temos de queixar de cada vez que algo vai mal e se temos de ser nós a fazer esse trabalho enquanto sofremos as consequências, então ao menos paguem-nos.

Desculpem-me o desabafo, mas já é demais. Não é normal que pessoas nos seus 21/22 anos tenham um cansaço tão grande na cabeça, nos olhos, nos ombros, na vida. Deixem-nos ser jovens!

E depois há todas as outras pessoas, exteriores a isto tudo. Umas acham que andámos a dormir o semestre todo e só agora começamos a arregaçar as mangas. É mentira! Eu apresentei vários trabalhos desde o início e só me estou a queixar agora. Outras acham que é muito bem feito, nós somos jovens, temos de trabalhar... Não respondo a estas. Outras ainda acham que isto são tudo desabafos e não sabemos o que é trabalhar a sério. Grrrrr. Também não respondo a estas.

Ai! Assim é que não. Estou mesmo exausta. Não é só desabafo. Não sei se há pessoas que conseguem fazer tudo com uma calma desgraçada. Talvez haja. Talvez, Simão, tu sejas um deles. Mas eu não. Eu estou caída no chão e o pano está-me por cima. Mas ainda não estou derrotada. Não desistirei. Ah não! Não vou ficar mais um ano para trás. Depois disto, serei capaz de tudo. Venha daí o 4º e o 5º! E Professores, no próximo ano, não serei tão caladinha.

Vou trabalhar...

Sábado, 17 de Maio de 2008

O meu sobrinho




De repente, aparece-nos nesta vida um novo papel que temos de desempenhar. Algo de novo prepara-se durante nove longos e curtos meses para nos fazer despertar e sorrir feitos parvos: um bebé. E eu sou a tia. :) Estamos a falar de mais do que 1/4 do meu código genético e de 100% do meu amor e preocupação. Estamos a falar de uma criança que crescerá fruto de duas das mais maravilhosas pessoas que eu conheço: o meu irmão e a minha cunhada.

Sei que para eles vai começar algo que amedronta. Não é fácil transportar o cargo de se ser pai, muito menos nos tempos que correm. Não é fácil amar assim incondicionalmente alguém que nem conhecemos ainda. e preocuparmo-nos 24/7 com algo tão precioso e frágil como um bebé.

Apenas quero que eles saibam que independentemente do que aconteça e para o que for preciso, eu estou aqui de braços a bertos e mangas arregaçadas para os apoiar e ajudar. E que saibam que eu acredito sinceramente na capacidade de eles conseguirem criar alguém, simultaneamente forte e frágil, como eles. Porque é desse tipo de pessoas que o mundo precisa. Mais do que pessoas perfeitas, precisa de pessoas genuínas e íntegras, que saibam errar e viver com as dificuldades e ainda assim ser felizes.

E hei-de ensiná-lo a chamar-me tiazinha. :P

Mais uma coisa, cliquem aí no link que vos encaminha para o blog do Papá Babado.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

"Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência. Porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão; para os fracassos, chance; para os amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planeando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."

Luis Fernando Verissimo


Para que entendam o meu nome no hi5 e mais, mais do que se escreve.

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

Coisas interessantes

Hoje fui ver uma peça de teatro: "Última Hora" do Xcto, o grupo de teatro que reside na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP), o local onde eu estudo.
"Uma mulher sequestra um grupo de actores no final de um espectáculo. O que estes actores têm que descobrir estará na base de todo o enredo. Os actores têm uma hora para descobrir o que a sequestradora quer, se no fim desta hora eles não forem capazes de descobrir, morrem. As emoções entram em conflito e todas as dimensões da vida são questionadas."
Sei que pela sinopse não dá para perceber ao certo, mas o cerne de toda a reflexão é a existência de Deus. Uma mulher, que é supostamente esquizofrénica, perseguidora, assassina, é a que levanta o manto sobre questões tão simples como a importância de cada dia na nossa vida, o real valor do que fazemos e a necessidade de nos deixarmos de segredos e encararmos a nossa vida de frente. No final, fica um sorriso na cara e a dúvida na mente.
Texto e encenação de Lara Morgado, interpretações (umas melhores que outras) de Ana Guinea, Carolina Mendes, Isabel Amorim, Gisela Borges, Miguel Martinho, Raquel Marques, Sara Silva, Sofia Cavadas e Tiago Neves, com design gráfico de Alexandre Rola.
Eu até o aconselharia se não tivesse sido esta a sua última exibição prevista. E pena tenho ao dizer que pouca assistência teve e muito fraca aderência da comunidade académica da FPCEUP. E, por isso, tenho mesmo de criticar todos os alunos e professores desta minha segunda casa, incluindo-me a mim mesma. Pouco nos interessamos pelo que se passa de cultural e extracurricular na nossa faculdade. Aparte de todos afazeres que sei que todos têm, também tenho a certeza que nada perderiam em aparecer mais vezes e ficar a conhecer um pouco mais do mundo e do trabalho que se desenvolve ali mesmo ao lado.

Fica o pensamento.

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Coisas para pensar


Os dias vêm e os dias vão numa incessante troca de dias em que perdemos a noção de nós.
A vida passa e não há momento para parar e pensar um pouco. O que fiz? O que isso significa, na minha vida e na vida dos outros? O que vou fazer a seguir? Todas estas questões vão ficando sem respostas.

E há um dia em que se teima contra a vida e se pára e é o caos. Damo-nos conta de tudo: o que somos, o que fazemos e o que queremos. Este processo demora mais que um dia. Podia demorar uma outra vida. Mas é necessário, especialmente quando algo de verdadeiramente marcante sucede.

Muitas vezes, é precisa uma reconstrução da percepção da pessoa sobre si própria, da percepção dos outros sobre si, dos projectos de vida, e da forma de actuar perante ela. Nos meandros, desse processo podemos descobrir coisas sobre nós mesmos que nos assustam ou que nos surpreendem. É natural que se precise de um pouco de tempo para nos auto-analisarmos e compreendermos. É natural que fiquemos desiludidos e tristes. Como a avestruz, a vontade é enfiar a cabeça debaixo de areia e ali ficar até tudo fazer sentido de novo.


Ainda assim, trabalhamos, estudamos, socializamos e vamos, aos poucos, mudando tudo em nós e no que os outros vêem em nós. Vamos ficando pessoas mais sérias, menos alegres, muito mais conscientes do que fazemos e dizemos e mais distantes.

Não sei se todos passam por isso. Não sei se todos reagem igual. Sei que vejo muitas pessoas, como eu, que de repente mudam e ficam como descrevi. Não sei se mudam para melhor. Talvez com o tempo passe. Talvez com o tempo voltem a ser parte do que eram. Ou talvez o finjam, por opção, para não serem incomodados ou notados. Sei que é importante passarmos por este processo, de vez em quando. Talvez seja tão importante, como as cobras mudarem de pele ou as andorinhas regressarem todas as Primaveras.

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Coisas de Erasmus




Esqueci-me de vir cá dar-vos a notícia. Já está feita a candidatura formal de Erasmus que será enviada para Berlim. Foi muito difícil conseguir orquestrar tudo para que fosse construído um plano de estudos em condições, mas graças à ajuda preciosa do Miguel Andrade (que by the way, me tem também ensinado alemão), das senhoras do SPAM (Serviço de Projectos e Apoio à Mobilidade) e da Prof. Dra. Filomena Jordão está finalizado e acho que até está muito bem.
Agora só me resta aguardar que digam alguma coisa de Berlim a validar ou não a candidatura.
Está dada a notícia. Continuo à espera da partilha de experiências de Erasmus, que nunca chegaram a vir...

Domingo, 30 de Março de 2008

Coisas para pensar



Ora toma...


Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que um brasileiro dá um 'baile' educadíssimo aos Americanos...


Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação Cristovam Buarque foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros). Um jovem americano fez a pergunta, dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque:






'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar que esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!




Achei por bem que todos lessem e pensassem no assunto.

Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Coisas más

O que é possível fazer em Portugal a um professor? Onde foi que o país de brandos costumes os perdeu a todos? Onde estão os pais que devem educar os filhos, antes de eles terem este tipo de comportamento? Onde está o Estado quando é preciso proteger os professores? Quando surgiu a expressão "proteger os professores"? Que país é este em que isso é preciso? Onde está o país em que eu cresci? Onde está a escola em que eu me fiz gente? Onde está a dignidade que eu via nos meus professores?

Eu nunca fui a pessoa mais bem-comportada da turma, de longe. Mas sempre respeitei os meus professores. Sempre os defendi, sempre os ouvi, sempre vi neles exemplos. Talvez não em todos, mas na maioria. Mas mesmo não concordando, mesmo não os compreendendo, sempre os respeitei.

Tenho em casa uma mulher que tem um carisma especial. A minha mãe consegue transformar uma turma de insolentes, desinteressados e especiais alunos em pessoas que conseguem ouvir, que querem ser alguém, que querem viver uma vida melhor. Eu não sou uma das pessoas que se dá melhor com a minha mãe. Mas ela é e será sempre uma heroína para mim. Tenho o maior orgulho em ter sido educada por alguém que o soube fazer e que o faz melhor ainda quando se trata dos seus alunos. É fiel à sua profissão, mas é duas vezes mais fiel aos seus alunos. Nunca vi ninguém ser tão dedicada, ter tanta fé em crianças em que ninguém mais vê nada.

Espero que esta onda de desrespeito pela autoridade, em particular pela dos professores, seja travada a tempo de se degradar ainda mais a qualidade das pessoas neste país. Espero que isto pare a tempo de alguém estragar a vida à minha mãe ou a algum outro professor que ainda acredite nos alunos deste país.

É nestas alturas que eu tenho vergonha de ser portuguesa: quando vejo que isto não é apenas um caso isolado, mas uma tendência que começa a identificar-nos...

Terça-feira, 18 de Março de 2008

Coisas de partilhar




Muitos desafios se têm atravessado no meu caminho, ao longo da preparação para a minha ida para Berlim. Os mais difíceis de resolver são os burocráticos e a compreensão da língua. Porém, os desafios mais difíceis de resolver são aqueles que não posso prever, nomeadamente, que tipo de coisas podem acontecer, de que coisas se pode precisar, que coisas se devem fazer e em que situações...


Esta é uma oportunidade para todos partilharem opiniões, sugestões, histórias, tudo o que vos vier à cabeça que vos possa parecer útil, engraçado ou estranho. E, para todos os que lerem, será uma oportunidade de saber, aprender e rir.


Partilhem!

Sexta-feira, 14 de Março de 2008

Coisas interessantes

Segundo o que aparenta, a vossa vontade é que o próximo Presidente dos E.U.A. seja uma mulher. Porém, tendo em conta a fraca aderência à sondagem, prolonguei o período de voto, até ao final do mês. Pessoal, isto é de extrema importância.
Boas votações!

Domingo, 9 de Março de 2008

Coisas de Erasmus

Arranjei uma mochila muito fixe para transportar as minhas coisas, em dias de chuva, pelas ruas de Berlim. Mas ficam a faltar uma máquina fotográfica e um leitor de mp3 para mostrar a todos o que vir por lá e para não fazer as viagens em silêncio. Continuo à espera de incentivos... :(

Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Coisas de Erasmus


Hoje tomei o primeiro passo para o que virá. Fiz a pré-candidatura para Erasmus. Uma única opção de destino: Berlim. A vaga é quase uma certeza, pelo que só me falta esperar prazo para apresentar candidatura definitiva e começar a trabalhar no meu plano de estudos. Veremos como corre tudo. Incentivos?

Terça-feira, 4 de Março de 2008












Missing


Please, please forgive me,

But I won't be home again.

Maybe someday you'll look up,

And, barely conscious, you'll say to no one:

"Isn't something missing?"


You won't cry for my absence, I know -

You forgot me long ago.

Am I that unimportant?

Am I so insignificant?

Isn't something missing?

Isn't someone missing me?


Even though I'd be sacrifice,

You won't try for me, not now.

Though I'd die to know you loved me,

I'm all alone.

Isn't someone missing me?


Please, please forgive me,

But I won't be home again.

I know what you do to yourself,

I breathe deep and cry out,

"Isn't something missing?

Isn't someone missing me?


"Even though I'd be sacrifice,

You won't try for me, not now.

Though I'd die to know you loved me,

I'm all alone.

Isn't someone missing me?


And if I bleed, I'll bleed,

Knowing you don't care.

And if I sleep just to dream of you

I'll wake without you there,

Isn't something missing?

Isn't something...


Even though I'd be sacrifice,

You won't try for me, not now.

Though I'd die to know you loved me,

I'm all alone.

Isn´t something missing?

Isn't someone missing me?


Evanescence

Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Coisas parvas

Não pensem que o blog caiu no meu esquecimento. Simplesmente não me apetece falar sobre nada. Estou farta de tudo e as coisas perderam a piada há muito tempo atrás. E, depois disso, ficou muito pouco para dizer. Pode ser que eu volte. Pode ser que não.

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Baixo os olhos e não sinto. Deixo o mundo continuar lá fora. Não quero sair. Não quero ver os outros a viver e a sentir. Aqui é a vida que eu quero, que eu mereço, que eu consigo. E, finalmente, não dá mais. Não há mais lágrimas para chorar, nem pena para sentir por mim própria. Já não há espelhos que consigam reflectir tanta pobreza, tamanha pequenez.

A Pessoa sou eu. O mundo sou eu. O tempo fugiu, parou por aqui. Não quero abrir a janela a ver o mundo a continuar. Como podem haver sorrisos? Como pode continuar a mundo sem me ver? Quando é que o mundo vai parar para me deixar levantar e dar um passo sem o risco de cair e sofrer de novo? Para onde vão todos com tanta pressa, sem olhar para trás por um momento, para ver que eu estou aqui e que as pernas para andar já não as tenho, já mas tiraram, não voltam mais?

Fosse eu a brisa e saísse de mim enfim e voasse no vento e molhasse na chuva e vivesse pela vida dos outros. Fosse eu passado todos dias e voltasse a ser sorriso, liberdade e vida. Fosse eu limpa e pudesse ver-me sem a lama nos olhos e na alma. Fosse o mundo outro e mais leve, sem mim e sem a minha dor. Fosse eu mentira e houvesse calma.

Mas o mundo é isto e isto é dor e a dor sou eu.